O Arqueiro é o primeiro livro da trilogia A Busca do Graal, do escritor Bernard Cornwell. Tendo como pano de fundo o início da Guerra dos Cem Anos, ocorrida entre os séculos XIV e XV, em que ingleses e franceses disputaram batalhas e mais batalhas em busca da afirmação de poder, o personagem principal é Thomas de Hookton, um jovem arqueiro que estudara para padre e que viu sua pequena vila ser destruída, seus pais mortos e uma relíquia da família ser roubada por invasores franceses.
Prometendo vingança, Thomas vai em direção à guerra, para servir como arqueiro inglês onde precisassem dele. Com o tempo, ele se mete em confusão com um nobre, é obrigado a fugir, arrasta uma mulher com ele, se mete em mais confusões e retorna ao exército inglês. Depois ele é enforcado, salvo pela pessoa que matou seus pais, descobre parcialmente de que família é e quem mandou matar seu pai e roubar a relíquia, faz um acordo com o homem que o salvou e ainda leva a filha desse homem como sua companheira em mais aventuras. O que liga o personagem à busca pelo cálice sagrado é o fato de sua família ter sido detentora dessa relíquia em épocas remotas e seu pai ter surrupiado e a levado para a Inglaterra, motivo esse que levou um misterioso homem fazer aquela incursão na vila e levar uma lança de prata como prêmio. Sabendo da história anos depois, apenas, ele parte em busca da verdade sobre quem é e em busca de recuperar o Graal, cálice sagrado que traria a paz entre as nações que estão em guerra.
quarta-feira, março 01, 2017
segunda-feira, fevereiro 20, 2017
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
Quando Ray Bradbury nos deixou, em 2012, eu estava na faculdade (pela segunda vez). Ouvi de alguns professores (cursava Relações Públicas) que este romance foi um marco em suas adolescências e que os motivou a cursar comunicação, ainda que não tivessem percebido isso no momento, somente algum tempo depois de estarem cursando.
Decidi ler a obra em 2017, embora tenha comprado o exemplar em dezembro de 2016. Encontrei muitos diálogos interessantes, monólogos também, confusões de um personagem que não sabia exatamente o que estava fazendo com o mundo, mas que havia percebido que a bolha que o envolvia desapareceu. Como alguém que acorda de um pesadelo, mas que não consegue contar a ninguém o que estava acontecendo, pois ninguém acreditaria, e pior, o levariam à morte caso mantivesse o discurso inflamado sobre a realidade. Viver de sonhos é bem melhor para muitas pessoas.
O que ocorre com Guy Montag, bombeiro queima livros, é ver-se como vilão em um mundo em que as pessoas não mais questionam as ordens dadas. Não há criticidade, tudo ocorre na velocidade máxima, como os carros numa freeway. Para isso, os livros foram abolidos do universo em que os personagens vivem. E essa é a nova função dos bombeiros, queimar os livros.
O quanto somos influenciados pelas ordens dadas pelos governos? Quanto respeitamos a autoridade? Quando agimos pelo medo estamos realmente obedecendo aquilo que é o certo ou só o fazemos para não sofrermos represálias? A sociedade da qual fazemos parte tem consciência do mundo ou age automaticamente, um dia após o outro?
Nesse universo em que não podemos ler o que mais ressalta o autor é o fato de não questionarmos. Os personagem tomam pílulas e mais pílulas para não sentir qualquer sintoma. É o hedonismo em forma de remédios. A televisão do tamanho da parede (ou é a própria parede), as conchas nos ouvidos para ouvirem aquilo que são determinados a ouvir, os demais aparelhos tecnológicos são mais psicológicos que qualquer coisa. Um grande apelo vem de um personagem já idoso e que se queixa, em uma das conversas com Montag, sobre ter deixado que tudo isso acontecesse, pois viu a mudança acontecer, mas nada fez para impedi-la.
Deixando Fahrenheit 451 de lado (Bradbury escreveu no início da Guerra Fria essa obra) a realidade de 2017 são grupos e mais grupos de indivíduos que compartilham de algumas semelhanças ideológicas e que buscam provar seus pontos de vista, sem medo de agredir verbalmente quem quer que seja. Não se colocam no lugar do outro, que também é um humano, cheio de ansiedade, dúvidas, questões nunca resolvidas, que busca se afirmar como ser, alguns mais outros menos. Ninguém consegue estar totalmente correto. Não acredito que a verdade seja escrita por apenas uma mão. Há quem acredite. Em todo caso, convivemos todos no mesmo mundo, e as divergências nunca vão parar por aí. A tolerância precisa ser desenvolvida. Muitos jovens desse mundo ocidental não sabem o que é guerra. Confundem violência com guerra. Guerra não tem equivalente, mas muitos agem em favor dela, buscam, com palavras e atos, incitar essa situação. Quando podemos pensar, quando podemos racionalizar nossos atos, vemos que a guerra é contra o que buscamos, tanto faz o lado de que se esteja. Não são os livros que vão nos dizer o que devemos fazer, mas o próprio pensamento, pensar antes de agir. É bonito ler sobre a guerra. Não é nada bonito estar nela.
A humanidade sobreviveu e se desenvolveu sem livros também. O que Bradbury nos conta é que temos que pensar por conta, não pegar tudo mastigadinho e sair por aí vivendo alienadamente.
Valeu muito a pena ler esta obra. Antes que alguém a proíba. Ou que fique no esquecimento. Ou vire combustível de uma fogueira de refugiados da próxima guerra.
Decidi ler a obra em 2017, embora tenha comprado o exemplar em dezembro de 2016. Encontrei muitos diálogos interessantes, monólogos também, confusões de um personagem que não sabia exatamente o que estava fazendo com o mundo, mas que havia percebido que a bolha que o envolvia desapareceu. Como alguém que acorda de um pesadelo, mas que não consegue contar a ninguém o que estava acontecendo, pois ninguém acreditaria, e pior, o levariam à morte caso mantivesse o discurso inflamado sobre a realidade. Viver de sonhos é bem melhor para muitas pessoas.
O que ocorre com Guy Montag, bombeiro queima livros, é ver-se como vilão em um mundo em que as pessoas não mais questionam as ordens dadas. Não há criticidade, tudo ocorre na velocidade máxima, como os carros numa freeway. Para isso, os livros foram abolidos do universo em que os personagens vivem. E essa é a nova função dos bombeiros, queimar os livros.
O quanto somos influenciados pelas ordens dadas pelos governos? Quanto respeitamos a autoridade? Quando agimos pelo medo estamos realmente obedecendo aquilo que é o certo ou só o fazemos para não sofrermos represálias? A sociedade da qual fazemos parte tem consciência do mundo ou age automaticamente, um dia após o outro?
Nesse universo em que não podemos ler o que mais ressalta o autor é o fato de não questionarmos. Os personagem tomam pílulas e mais pílulas para não sentir qualquer sintoma. É o hedonismo em forma de remédios. A televisão do tamanho da parede (ou é a própria parede), as conchas nos ouvidos para ouvirem aquilo que são determinados a ouvir, os demais aparelhos tecnológicos são mais psicológicos que qualquer coisa. Um grande apelo vem de um personagem já idoso e que se queixa, em uma das conversas com Montag, sobre ter deixado que tudo isso acontecesse, pois viu a mudança acontecer, mas nada fez para impedi-la.
Deixando Fahrenheit 451 de lado (Bradbury escreveu no início da Guerra Fria essa obra) a realidade de 2017 são grupos e mais grupos de indivíduos que compartilham de algumas semelhanças ideológicas e que buscam provar seus pontos de vista, sem medo de agredir verbalmente quem quer que seja. Não se colocam no lugar do outro, que também é um humano, cheio de ansiedade, dúvidas, questões nunca resolvidas, que busca se afirmar como ser, alguns mais outros menos. Ninguém consegue estar totalmente correto. Não acredito que a verdade seja escrita por apenas uma mão. Há quem acredite. Em todo caso, convivemos todos no mesmo mundo, e as divergências nunca vão parar por aí. A tolerância precisa ser desenvolvida. Muitos jovens desse mundo ocidental não sabem o que é guerra. Confundem violência com guerra. Guerra não tem equivalente, mas muitos agem em favor dela, buscam, com palavras e atos, incitar essa situação. Quando podemos pensar, quando podemos racionalizar nossos atos, vemos que a guerra é contra o que buscamos, tanto faz o lado de que se esteja. Não são os livros que vão nos dizer o que devemos fazer, mas o próprio pensamento, pensar antes de agir. É bonito ler sobre a guerra. Não é nada bonito estar nela.
A humanidade sobreviveu e se desenvolveu sem livros também. O que Bradbury nos conta é que temos que pensar por conta, não pegar tudo mastigadinho e sair por aí vivendo alienadamente.
Valeu muito a pena ler esta obra. Antes que alguém a proíba. Ou que fique no esquecimento. Ou vire combustível de uma fogueira de refugiados da próxima guerra.
domingo, janeiro 08, 2017
O homem que caiu na Terra - Walter Tevis
Comecei a ler este livro na noite de 2/01 e já terminei sua leitura na madrugada de 6/01. São pouco mais de 200 páginas de uma história curta, porém objetiva. A obra foi publicada em 1963, em plena confusão da guerra fria, após a Segunda Guerra Mundial e outras guerras, como a da Coreia. O autor se baseia em um mundo em que as relações diplomáticas entre países estão profundamente abaladas após tantas guerras. Até o Brasil teve suas relações cortadas com os Estados Unidos, o que resultou em escassez de café ao país ao norte da linha do Equador.
A história começa no ano de 1985, e como o título do livro diz, um homem um tanto quanto diferente está na Terra. Não sabemos exatamente seus planos, porém seus inventos aprimoram equipamentos existentes no planeta, o que desperta a atenção do governo norte-americano e também de um cientista, intrigado com as revelações de filmes fotográficos. A reputação de Nathan Bryce, químico que trabalha em uma universidade, faz com que seja contratado pela empresa do homem que caiu na Terra, Thomas Jerome Newton, a World Enterprises Corporation. A outra personagem recorrente na história é Betty Jo, governanta da mansão e da vida de Newton.
Não vou mais contar mais detalhes sobre a história. O que me levou a considerar alguns pontos interessantes sobre o livro é a capacidade de arguir que se tivéssemos alguém, um ser especial, com ampla capacidade de raciocínio, e que viesse para este planeta para nos alertar sobre o fim do mundo através de guerras, colocaríamos ele na cadeia. Primeiro, por ser de outro planeta, e depois porque a guerra movimenta esse mesmo mundo. Basicamente o plano do alienígena é resgatar seu povo, que fora destruído com tantas guerras, ao mesmo tempo que destruiu seu mundo, seus recursos naturais. Ao chegar na Terra ele fica maravilhado com o simples fato de termos água. Mesmo escrito em 1963 esse é um tema cada vez mais atual. Poucas vezes percebemos o quão bom é termos água potável em nossas casas, como é bom termos chuvas, podermos represar essa água que cai do céu. Ano passado trabalhei em um congresso em que um professor americano dizia que botamos nossa água fora. Moro no Rio Grande do Sul, e na região que vivo a média anual é de 1.800 mm, enquanto que na região onde este professor trabalha são 1.000 mm a menos, e mesmo assim eles produzem mais grãos do que aqui. Eu costumo fazer breves relatos sobre o que li, pois tenho uma memória muito ruim. Não sou capaz de dar detalhes das histórias que li ou vi sem ter algo anotado. Gosto da literatura, mas faço a leitura dela por diversão. Entretanto, nesse texto, quero discorrer rapidamente sobre um enorme erro que cometemos. Há um ditado popular que diz que dinheiro não cai do céu. Aqui está o erro. Dinheiro cai do céu. A cada chuva que temos é dinheiro caindo e se esvaindo por valetas de esgoto, rios de dinheiro desperdiçados. A radiação solar é pouco aproveitada. São raios e mais raios que fazem uma viagem enorme saindo da nossa estrela fundamental e que poderiam ser transformados em energia, mas que também são desperdiçados em sua gigantesca maioria, assim como os ventos, invisíveis que são, continuam sendo, e sua jornada ao redor do planeta passa despercebida, lembrada apenas quando temos catástrofes, desencadeadas, muitas vezes, pela interferência do homem e sua incrível ganância de se tornar invencível até o dia de sua morte, como o governo retratado na história de Walter Tevis, que por medo de perder poder, não divulga que um ser extraterreno está na Terra e que seu objetivo é trazer seus amados para um planeta ainda não destruído, ao passo que pode mostrar o que foi feito de errado na trajetória de sua terra natal e auxiliar a evitar que o mesmo ocorra aqui, pois já estamos nos destruindo. Embora o autor estivesse escrevendo sobre um cenário apocalíptico, não estamos distantes de acabarmos com esse pálido ponto azul em que vivemos.
Espero que essas previsões nada acolhedoras mudem, porém é utopia achar que mudaremos nossa essência irracional de ser.
Sobre a versão da obra pela editora Darkside:
Parabéns! Lindo livro, capa dura, borda laranja com fita marcadora de página. A ilustração da capa e contra faz parte do filme O Homem que Caiu na Terra, com David Bowie fazendo o papel principal do alienígena Antheano.
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| Eu disse que era um versão muito legal |
sexta-feira, dezembro 30, 2016
Os Irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski
No começo de minha escrita decidi que a cada livro lido desta obra (dividida em livros) faria um breve resumo. Mal comecei e parei com esta atividade, tendo em vista que a wikipédia apresenta a obra desta mesma forma. Então voltei meus esforços em fazer aquilo que mais me agrada, escrever sobre o que senti ao ler. Claro, não sem antes descrever um pouco a situação em que se encontram os personagens, afinal, não quero uma bagunça, mas algo em que possa ler e retornar a experiência vivida.
A trama se desenvolve em torno das desventuras da família Karamázov, tradicional família de sensuais, sendo Fiódor o patriarca e Dmitri (Mitia), Ivan e Aliêksei (Aliocha) seus filhos. Fiódor faz estimada fortuna ao casar-se pela primeira vez, embora tenha se casado duas vezes. Teve um filho do primeiro casamento e dois do segundo, porém nunca teve relação com seus filhos, nunca os criou, delegando (ou relegando) essa tarefa a empregados ou parentes de sua ex-esposa.
A história começa a pegar fogo quando seus filhos já estão adultos (ou praticamente, Aliocha é novo, mas nem tanto) e acabam voltando suas ações ao descarado patriarca russo. O que mais me chamou a atenção nesse ponto é o fato de que tanto o velho Fiódor quanto seus filhos atraem as mulheres, eles são considerados “sensuais por sua natureza”. Esse tema é bastante discutido durante a história. Dmitri tem uma noiva, mas é atraído por Grushenka, que dá atenção também a Fiódor. Ivan se aproxima da noiva de Dmitri, mas não admite seu interesse, mesmo quando Aliocha tenta meter a colher onde não é chamado, Ivan renega seus sentimentos e Aliocha se aproxima de Grushenka, que por sua vez sempre bradou que tinha interesse em Aliocha, sendo que este despertou o interesse de uma menina chamada Lisa, que mora com a ex-noiva de Dmitri, Katierina. Só sei que esses “kara” tem borogodó.
Outro tema proposto é o da existência de Deus. Ivan formula algumas teses dentro da obra através da criação de um conto em que Jesus Cristo retorna à Terra, mas é rejeitado por promover a desordem e o caos, por causa de sua vinda. Por sua vez, Aliocha faz parte de um “mosteiro”, por assim dizer, e tem como Zózimo seu mestre e mentor. Zózimo morre no decorrer da história e é venerado por muitas pessoas, ao passo que desperta a inveja de outros monges, o que faz gerar histórias a favor e contra essa pessoa. Tem-se muita discussão sobre a religião e a forma como os russos a encaram. Além de algumas festas. As festas que Mítia deu merecem uma breve descrição. Ok, nem tanto, mas poderíamos considerá-lo um “rei do camarote” da época. Champagne, música ao vivo, confusão, brigas… Parece até uma festa atual, mas com Mítia bancando tudo, gastando muito dinheiro em poucas horas. Isso é um tanto perturbador. Os personagens da história criticam Dmitri por ele não se importar com o dinheiro. Parece alguém que não dá bola para o amanhã, para o futuro, vive o presente, carpe diem, embora a situação não seja assim favorável. São muitos elementos descritos na obra que lembram situações atuais, como essa, em que um jovem torra a grana de seu pai em festas
Trata-se de um romance essencial. Todas as pontas estão amarradas, embora Dostoiévski estivesse escrevendo a continuação da obra, que seria mais focada em Aliocha, quando faleceu, sem terminar essa segunda obra. Ler este livro é como poder estar em um pedacinho da Rússia no séc.XIX, em meio a questões religiosas, de reavaliação da identidade russa, além de uma grande confusão entre amores não vividos, negação da paternidade, assassinato, tentativa de assassinato, julgamento e festas.
segunda-feira, outubro 24, 2016
Guerreiros da Tempestade - Bernard Cornwell
E a saga de Uhtred continua...
Nono livro da série Crônicas Saxônicas (isso mesmo, LIVRO 9) escrito por Bernard Cornwell, também autor de As Crônicas de Artur, A Busca do Graal, e As Aventuras de Sharpe. E como era de se esperar, luta, sangue, morte, saxões, dinamarqueses, noruegueses, irlandeses, todos misturados no contexto da criação da Inglaterra (não é bem assim, mas vamos chegar lá, um dia).
SPOILER ALERT
Os relatos a seguir fazem parte da história. Como esse livro relata, o narrador-personagem Uhtred se envolve na disputa para derrotar o norueguês Ragnall, que reuniu forte exército nas terras ao norte da Mércia, aliando-se a alguns temíveis irlandeses, para ser o manda-chuva de toda a ilha britânica. Como podemos supor, se é Uhtred que conta a história, é porque ele sobreviveu a essa disputa. É difícil ter algum susto com a trama, diferentemente de outras histórias, como as escritas por aquele autor que mata os personagens que mais gostamos e nos deixa órfãos, ¬¬.
Ragnall quer dominar Nortúmbria, Mércia, Wessex e a Ânglia Oriental, até onde sabemos, e começa sua incursão por essas terras no norte. Uhtred frustra seus planos, e o mais interessante, esse pagão que adora salvar a pele dos cristãos, resolve agir de maneira a contrariar sua querida Æthelflaed. O final é que ele consegue atingir seus objetivos, sem causar mais problemas para si, e, sim, finalmente, parece se encaminhar para tomar Bebbanburg, algo que esperamos que aconteça no Livro 10, pois não foi dessa vez que leremos sobre a derrocada dos guardiões da terra natal do senhor da guerra.
O livro é dividido em 3 partes, Cornwell sempre antecipa o que está para acontecer, mas com aquela ótima descrição das batalhas, que acontecem com muita frequência. As viagens de barco estão presentes, e conhecemos um pouco sobre a história do seu fiel amigo Finan, o irlandês, que está junto de Uhtred desde que foram escravos, há muitos anos. Essa era uma parte bem escondida de nós, meros leitores. Também ficamos conhecendo o destino de sua amada filha, Stiorra, que havia fugido com Sigtryggr (para a Irlanda) e de seu filho padre, o Oswald, que retorna para Uhtred. Novos personagens aparecem, como o padre a ser bispo de Ceaster, Leofstan, carismático até para o senhor da guerra, e sua esposa, uma prostituta mulher que arranja altas confusões com os soldados dos exércitos de Uhtred e de Æthelflaed.
Uma das mortes mais esperadas no livro é a de Brida, primeira amante de Uhtred. Sim, ela morre, afinal, Wyrd bið ful ãræd. Acho que os spoilers acabam por aqui, pois não é essa a intenção do blog. Deixei vários assuntos de fora, como o próprio nome do livro, não falei sobre guerreiros da tempestade, tempestade, etc... Tem ainda um outro personagem do passado de Uhtred que, deixa pra lá, leia logo de uma vez.
FIM DA ZONA DE SPOILERS
Mais uma vez Cornwell nos deixa esperando pelo fim da saga de Uhtred Uhtredson, ou Uhtred Ragnarson, a vingança para retomar a suas terras de direito, seu dever de protetor do norte. Parece que ele não tem fim, um guerreiro de um punhado de anos, quando a maioria de seus contemporâneos já faleceu, que está lá, firme e não tão forte em busca de Bebbanburg. Pode parecer cansativo para alguém que ainda não começou a ler, mas para quem já a iniciou, sabe que as páginas passam rapidamente pelos olhos. A escrita se torna fácil de ser lida, embora os nomes.
O contexto histórico nesse livro foi bem sucinto. Diferentemente de livros anteriores, este não busca uma história próxima da realidade. Acredito que é assim escrita para que finalmente nosso herói pagão tenha um final digno de um guerreiro, mas sem se importar com a veracidade dos fatos históricos, afinal, se os leitores quiserem podem procurar em livros de história e fazer toda aquela análise e confrontação para saber como a Inglaterra foi formada. Como está escrito no final deste livro, este é o pano de fundo para os romances de Uhtred. O interessante é sabermos que a Inglaterra foi formada por diversos povos, e eles estão presentes nestes romances e em outros, como as Crônicas de Artur, que se passam muitos anos antes de Crônicas Saxônicas.
O meu sentimento ao ler estes livros é o de superar meus problemas, ser mais forte do que o destino, embora este seja inexorável. Cada vez que leio tenho mais vontade ainda de seguir em frente, construir uma história. Passamos brevemente por este mundo de perigos, e não podemos nos dar ao luxo de sermos inertes, inexistentes. Como seres inacabados, estamos em constante evolução, e é isso que vejo em Uhtred, um herói que aprende a cada situação.
Boa leitura a todos.
Guerreiros da Tempestade - Bernard Cornwell
| Thumbnail de youtuber falido, mas é o que temos para o momento. |
Suave é a noite - F. Scott Fitzgerald
Essa foi uma obra que demorei certo tempo para terminar sua leitura. Por quê? Porque não estava muito no clima de um romance dos anos 20. Ele é dividido em III partes, chamadas Livro 1, 2 e 3, sendo que a história não está na ordem natural das coisas, isto é, começamos conhecendo os personagens principais no Livro 1, porém no Livro 2 o passado dos personagens é relatado. Foi só aí que comecei a achar interessante o livro. Nesse ínterim, acabei parando de lê-lo para ingressar no mundo de Kurgala, como já descrito nos posts anteriores.
Já havia lido um livro de Fitzgerald anos atrás, do qual gostei muito, o que não faz com que não tenha gostado deste, apenas demorei demais para achá-lo interessante. O universo das pessoas muito ricas antes da quebra da bolsa de 1929 ainda me parece muito fora dos padrões aos quais eu consiga imaginar como natural, mas acho que o mesmo se aplica se eu lesse sobre o alto padrão milionário da época atual. Como não o faço, fico na hipótese de que sim, sem comprovação da minha parte.
A história começa na Riviera Francesa, com o casal Diver fazendo amigos com outros ricos. Não há preocupação de explicar por que são ricos. Nisso, eles conhecem uma jovem atriz de Hollywood, Rosemary, que ao longo da trama, se apaixona por Dick Diver, marido de Nicole. A partir disso os vícios de caráter destes personagens começam a aparecer, chegando a uma degradação fortíssima em Dick, um médico psiquiatra que aceitara casar-se com sua única paciente até o momento, e claro, se eu ficar escrevendo sobre isso acabarei contando a história toda, e não é por isso que escrevo aqui (é para lembrar-me sobre o que já li).
O aspecto mais forte que considero é a recuperação por parte de Nicole e a degradação de Dick, e como cada um reage a isso. Como Dick suportou tanto tempo agindo como todos desejavam que ele agisse, um cavalheiro quase que perfeito, sendo que em seu interior nada era tão estável como imaginassem os amigos e a sociedade? É uma pressão um pouco egoísta, também da minha parte como leitor, mas é um homem, caucasiano, bem sucedido, que atingiu status desejado por muitos americanos (A Casa da Felicidade, de Edith Wharton, mostra o que é esse desejo americano de se viver europeu), casado com uma mulher linda, filhos bem educados, e tudo mais que a sociedade espera e cobra de uma pessoa, mas que não se encontrou como pessoa, não sabe seu caminho. Isso acontece com a natureza humana, não temos a resposta para: o que fazemos no mundo, qual meu propósito na vida? escrita em nosso DNA. Alguns sortudos a descobrem, outros fingem encontrar, e outros não se importam com isso, mas sempre existirão aqueles que passarão suas vidas a dedicar tempo e mais tempo a fim de descobrir isso, sem sucesso até o final.
Na edição que li é possível ler Nota sobre o texto, que explica o contexto da publicação da obra, por Arnold Goldman, além de Notas explanatórias.
Boa leitura a todos.
Já havia lido um livro de Fitzgerald anos atrás, do qual gostei muito, o que não faz com que não tenha gostado deste, apenas demorei demais para achá-lo interessante. O universo das pessoas muito ricas antes da quebra da bolsa de 1929 ainda me parece muito fora dos padrões aos quais eu consiga imaginar como natural, mas acho que o mesmo se aplica se eu lesse sobre o alto padrão milionário da época atual. Como não o faço, fico na hipótese de que sim, sem comprovação da minha parte.
A história começa na Riviera Francesa, com o casal Diver fazendo amigos com outros ricos. Não há preocupação de explicar por que são ricos. Nisso, eles conhecem uma jovem atriz de Hollywood, Rosemary, que ao longo da trama, se apaixona por Dick Diver, marido de Nicole. A partir disso os vícios de caráter destes personagens começam a aparecer, chegando a uma degradação fortíssima em Dick, um médico psiquiatra que aceitara casar-se com sua única paciente até o momento, e claro, se eu ficar escrevendo sobre isso acabarei contando a história toda, e não é por isso que escrevo aqui (é para lembrar-me sobre o que já li).
O aspecto mais forte que considero é a recuperação por parte de Nicole e a degradação de Dick, e como cada um reage a isso. Como Dick suportou tanto tempo agindo como todos desejavam que ele agisse, um cavalheiro quase que perfeito, sendo que em seu interior nada era tão estável como imaginassem os amigos e a sociedade? É uma pressão um pouco egoísta, também da minha parte como leitor, mas é um homem, caucasiano, bem sucedido, que atingiu status desejado por muitos americanos (A Casa da Felicidade, de Edith Wharton, mostra o que é esse desejo americano de se viver europeu), casado com uma mulher linda, filhos bem educados, e tudo mais que a sociedade espera e cobra de uma pessoa, mas que não se encontrou como pessoa, não sabe seu caminho. Isso acontece com a natureza humana, não temos a resposta para: o que fazemos no mundo, qual meu propósito na vida? escrita em nosso DNA. Alguns sortudos a descobrem, outros fingem encontrar, e outros não se importam com isso, mas sempre existirão aqueles que passarão suas vidas a dedicar tempo e mais tempo a fim de descobrir isso, sem sucesso até o final.
Na edição que li é possível ler Nota sobre o texto, que explica o contexto da publicação da obra, por Arnold Goldman, além de Notas explanatórias.
Boa leitura a todos.
domingo, outubro 09, 2016
O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur
O box que comprei incluía os dois primeiros volumes de O Espadachim de Carvão. Agora é vez de escrever sobre Puzur. Uma das coisas que mais gostei no primeiro livro foram as citações sobre Tamtul e Magano, heróis de uma série de livros que Adapak lera muito, mas muito mesmo. As citações abrem os capítulos, não todos, mas a maioria. No segundo livro esse recurso também está presente, e agora a obra passa a dar mais referências sobre esses personagens-heróis que o protagonista tanto admira.
Sobre a história: Puzur (que está no título da obra) é o alvo do escritor, que volta ao passado para narrar a história deste personagem que permeia o imaginário. Adapak também busca informações sobre ele em uma biblioteca. Então temos a narrativa sobre Adapak buscando em relatos de soldados (não são soldados, mas deixarei assim) conhecer quem foi realmente Puzur e temos o narrador-escritor relatando a história desse anti-herói. Fato rápido: Percebemos como a história é modificada por quem a conta, seja de forma falada, escrita ou musicada. A personagem que vivencia as aventuras de Puzur é uma barda (se podemos assim dizer), e sabemos que essa classe adora contar histórias e transformá-las em algo muito mais interessante do que são.
Vale a pena ler? Sim, como já escrevi no primeiro texto. Buscava uma fantasia e achei uma, gostei do universo que gira em torno de Adapak, a forma como é escrita, as ilustrações, os detalhes e tudo mais.
Sobre a história: Puzur (que está no título da obra) é o alvo do escritor, que volta ao passado para narrar a história deste personagem que permeia o imaginário. Adapak também busca informações sobre ele em uma biblioteca. Então temos a narrativa sobre Adapak buscando em relatos de soldados (não são soldados, mas deixarei assim) conhecer quem foi realmente Puzur e temos o narrador-escritor relatando a história desse anti-herói. Fato rápido: Percebemos como a história é modificada por quem a conta, seja de forma falada, escrita ou musicada. A personagem que vivencia as aventuras de Puzur é uma barda (se podemos assim dizer), e sabemos que essa classe adora contar histórias e transformá-las em algo muito mais interessante do que são.
Vale a pena ler? Sim, como já escrevi no primeiro texto. Buscava uma fantasia e achei uma, gostei do universo que gira em torno de Adapak, a forma como é escrita, as ilustrações, os detalhes e tudo mais.
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